sexta-feira, 26 de abril de 2013

A importância da avaliação psicológica


     Texto publicado no Jornal Opinião 26/04/2013
      

      Muita gente nunca se deu conta, porém pelo menos na hora de tirar a habilitação, passou por uma avaliação psicológica, que é o famoso “psicotécnico”. Através dele, é possível saber se o candidato atinge a habilidade cognitiva e emocional mínima necessária para dirigir veículos. E há vários outros tipos de avaliações, como por exemplo, que mensuram a inteligência, a memória, a capacidade de concentração, a dinâmica de personalidade, os conflitos inconscientes, etc, com a finalidade de subsidiar diagnósticos. As avaliações psicológicas acerca do trânsito são tão importantes que, não somente no Brasil como no mundo, ninguém ganha uma carteira de habilitação se não for aprovado nelas. As avaliações também auxiliam empresas, escolas, hospitais, tribunais e profissionais da saúde em geral. Pena que sua prática ainda se restrinja mais às capitais.
       A avaliação psicológica é importante porque dá um respaldo científico aos diagnósticos. Tanto a empresa vai descobrir o potencial de responsabilidade e personalidade de seus candidatos, direcionando-os para as áreas corretas, como setor de vendas ou administrativo; como pode se proteger de contratar uma pessoa com alguma psicopatologia severa, que os gerentes não darão conta de perceber, evitando problemas e prejuízos para a corporação. Toda empresa inteligente tem psicólogos especializados em seleção e desenvolvimento de pessoas, ou ao menos contrata uma consultoria.
        Todavia, não é apenas a área organizacional que se beneficia, mas principalmente a área clínica. Psiquiatras, neurologistas e afins solicitam avaliações psicológicas para terem mais embasamento científico no encontro do diagnóstico de doenças mentais. Demências, hiperatividade, autismo, déficits de aprendizagem, transtornos de humor, de ansiedade, de personalidade, e etc, não são descobertos com exames de sangue ou ressonância magnética. A avaliação psicológica pode ajudar a desvendá-los e ainda elencar prognósticos e formas de tratamento de forma mais precisa. E para nós, psicólogas, não somente o diagnóstico é importante: aprofundar o entendimento do funcionamento dinâmico e inconsciente do paciente pode trazer ótimos resultados ao processo psicoterápico. 
         A área jurídica também se favorece com as avaliações psicológicas, as quais são utilizadas na compreensão desde casos de famílias, até casos mais complexos, como aqueles em que há crimes hediondos. Muitas vezes, as avaliações psicológicas são decisivas para o júri. Isso foi amplamente discutido no I Congresso Internacional de Psicologia da Tríplice Fronteira, ocorrido ano passado em Foz do Iguaçu. 
            Enfim, o único ponto negativo desse assunto, é constatar que a prática das avaliações psicológicas é mais comum nas capitais e que aqui no sudoeste do Paraná, é quase ínfima. Tanto as instituições como os médicos parecem “desconhecer” essa forma de instrumento diagnóstico, tão relevante e comum no mundo todo. E isso ainda piora quando certos doutores não admitem o conceito de atendimento multidisciplinar - no famigerado absolutismo médico. Ou, ainda, quando outras autoridades como prefeitos, empresários, políticos, no cume de sua desinformação, desconfiam da credibilidade ou confiabilidade das avaliações. Portanto, vamos divulgar a importância das avaliações psicológicas e acabar com essa marginalização descabida. Vamos crescer, Brasil. Nenhuma forma de ciência deve ser alvo de preconceito; e sim de respeito, sobretudo quando vemos resultados tão práticos e positivos.        



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